Flotilha Amazônica: Povos Indígenas Devem Estar no Centro das Negociações Climáticas da COP30

Durante sua jornada, a flotilha parou em comunidades indígenas e locais para trocar conhecimentos e apresentar demandas urgentes da Amazônia. CRÉDITO DA IMAGEN: Cobertura Colaborativa da Flotilha Amazônica Yaku Mama
Durante sua jornada, a flotilha parou em comunidades indígenas e locais para trocar conhecimentos e apresentar demandas urgentes da Amazônia. CRÉDITO DA IMAGEN: Cobertura Colaborativa da Flotilha Amazônica Yaku Mama

Uma jornada extraordinária pelo Rio Amazonas acaba de acontecer. A Flotilha Yaku Mama viajou mais de 1.800 milhas dos Andes, no Equador, até Belém, no Brasil, a cidade anfitriã da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). [1]Esta é a primeira vez na história que a COP ocorrerá na Amazônia. A bordo da flotilha estavam líderes indígenas, jovens, mulheres e aliados, viajando com uma mensagem compartilhada: os povos indígenas devem estar no centro das soluções climáticas. [1]Suas demandas, que incluem a interrupção da extração de combustíveis fósseis na floresta tropical, o acesso direto ao financiamento climático e a garantia da proteção de seus territórios e direitos, devem ser ouvidas e atendidas.

““A flotilha é um espaço para compartilhar experiências e refletir sobre questões que são discutidas nas COPs, mas que historicamente foram abordadas sem a participação dos povos indígenas.”
Alexis Grefa, representante juvenil Kichwa de Santa Clara, no Equador, e membro da equipe organizadora da flotilha, em entrevista ao jornal El País

Alexis Grefa. CRÉDITO DA IMAGEM: Hackeo Cultural
Alexis Grefa. CRÉDITO DA IMAGEM: Hackeo Cultural

O planejamento da flotilha começou logo após o anúncio de que a COP30 seria sediada em Belém. Organizações indígenas de toda a Bacia Amazônica começaram a plantar e regar as sementes para uma jornada coletiva que daria visibilidade tanto às suas lutas quanto às suas soluções para proteger a floresta tropical. Em vez de voar para a cúpula, eles escolheram viajar pelos rios que conectam seus territórios. E em 13 de outubro, a jornada começou.

Mais de 50 participantes do Equador, Peru, Brasil, Colômbia, Panamá, Guatemala, México, Indonésia e Escócia partiram de El Coca, Equador. Seus barcos exibem a imagem de Yaku Mama, que significa “Mãe Água” em quíchua, uma serpente sagrada do rio que simboliza proteção e força.

A rota que a flotilha percorreu refez o caminho do colonizador espanhol Francisco de Orellana em 1541. Enquanto sua expedição marcou o início da colonização na região, a flotilha tornou-se uma jornada de solidariedade e resistência indígena contra a contínua destruição da Amazônia, lar ancestral dos povos indígenas.

Antes de partir rio abaixo, o grupo subiu à geleira Cayambe, no alto dos Andes equatorianos, para ressaltar a conexão ecológica entre as terras altas e a floresta. Na cidade de El Coca, realizaram um protesto cobrindo uma estátua de Francisco de Orellana, em rejeição ao legado de extrativismo e violência que ele representa. Lá, eles também realizaram um funeral simbólico para os combustíveis fósseis nas ruas, onde jovens líderes carregaram um caixão de papelão preto com a inscrição “R.I.P. Petróleo”. “Estamos devolvendo o petróleo para onde ele pertence, a terra”, disse Lucía Ixchiu, mulher maia k’iche’ da Guatemala, enquanto acendia velas para honrar os defensores ambientais que perderam a vida na defesa de suas terras. Finalmente, enquanto a flotilha continuava em direção à fronteira do Equador com o Peru, eles pararam no Parque Nacional Yasuní, no Equador, um local emblemático da resistência à exploração petrolífera.

A Flotilha Amazônica Yaku Mama chegou a Belém do Pará no domingo, 10 de novembro, a tempo de participar das negociações climáticas da COP30. CRÉDITO DA IMAGEM: Flotilha Amazônica Yaku Mama

Uma Plataforma para Demandas Enraizadas no Território

Ao longo do caminho, a flotilha parou em comunidades indígenas e locais para compartilhar conhecimento e ampliar demandas urgentes. Estas incluem:

Estas demandas dos participantes da flotilha derivam de sua experiência de vida em territórios afetados por derramamentos de petróleo, mineração ilegal, desmatamento e projetos de infraestrutura implacáveis e prejudiciais.

Solidariedade Além-Fronteiras

A Rainforest Foundation US (RFUS) teve o orgulho de apoiar a Flotilha Yaku Mama durante sua passagem pelo Peru, juntamente com nosso parceiro indígena, a Organização dos Povos Indígenas da Amazônia Oriental (ORPIO). A Flotilha Yaku Mama chegou a Belém em 9 de novembro, um dia antes do início da COP30. [1]Sua jornada pelos rios e territórios da Amazônia serviu como um lembrete de que os povos indígenas são atores-chave na formação do futuro do nosso planeta.

Em Iquitos, cidade amazônica no nordeste do Peru, a flotilha participou do Festival de Cinema Flutuante, onde o cinema deu vida a histórias de resistência e autodeterminação indígena. Em uma comunidade Tikuna no Peru, membros da comunidade receberam os participantes com danças e canções que celebravam a vida. Lá, a renomada cantora amazônica peruana Rossy War uniu sua voz à dos povos amazônicos, lembrando a todos que a música também pode curar os rios.

A flotilha então continuou pela região da tríplice fronteira entre Peru, Colômbia e Brasil, onde territórios interconectados formam a maior extensão contígua de terras do mundo habitada por povos indígenas em isolamento voluntário. Essas terras também são fortalezas da biodiversidade. Em uma comunidade Tikuna no lado brasileiro, os participantes aprenderam sobre o conhecimento ecológico tradicional transmitido por gerações. Práticas de medicina natural, pesca e uma coexistência pacífica e sustentada com a floresta ofereceram modelos vivos de um futuro possível.

Em Leticia, na Colômbia, os membros da flotilha se reuniram com líderes indígenas engajados na incidência em políticas públicas. As conversas destacaram a importância da coordenação regional entre os povos indígenas e a necessidade de garantir que as vozes indígenas moldem as decisões nacionais e internacionais sobre o clima e os direitos territoriais dos povos indígenas.

O Caminho para a COP30

A Flotilha Amazônica Yaku Mama chegou a Belém em 9 de novembro, um dia antes do início da COP30. Sua jornada pelos rios e territórios da Amazônia serviu como um lembrete de que os povos indígenas são atores-chave que moldam o futuro do nosso planeta. Eles têm gerenciado vastos territórios de floresta por milênios. Essas florestas regulam as chuvas, armazenam carbono e abrigam uma imensa biodiversidade e diversidade sociocultural. Nos últimos anos, vários estudos forneceram evidências estatísticas que confirmam que as terras legalmente tituladas para os povos indígenas são os modelos mais eficazes para a proteção das florestas.

“Queremos alcançar mais do que apenas garantir dinheiro ou financiamento.
Queremos chegar a um consenso onde os territórios indígenas não sejam mais sacrificados.
Esta é a COP da Amazônia porque estamos aqui, exigindo e ocupando os lugares que merecemos.”
Lucía Ixchiu, líder K’iche’ da Guatemala, disse à Reuters em entrevista

Fonte: Rainforest Foundation

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