Dos Andes à Amazônia: os primeiros passos da travessia da Flotilha Amazônica Yaku Mama

Quito, capital equatoriana localizada no centro do planeta, sobre a Cordilheira dos Andes. Belém, capital do estado do Pará, Brasil, situada sobre o rio Amazonas em direção à sua foz no Oceano Atlântico. Mais de 3.000 km não medem apenas a distância entre estes dois pontos em um mapa, mas também abrangem os diversos habitats da diversidade biológica e da convivência cultural de povos e nacionalidades indígenas da América do Sul, desde o cume das geleiras até as profundezas da Amazônia.
Nosso objetivo é chegar à COP30, a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU. Este ano, ela será celebrada em Belém do Pará. O ponto de partida de nossa viagem é Quito. Durante nossa travessia, documentamos com a intenção de visibilizar as problemáticas da exploração mineradora, petrolífera, do desmatamento, das mudanças climáticas e seu impacto ambiental em nossas comunidades.
Nosso caminho é traçado pela senda da água, desde geleiras e páramos até a densa selva amazônica, em um ciclo vital do qual tomamos nosso nome: Flotilha Amazônica Yaku Mama.
Iniciamos a viagem fluvial no porto da cidade de Francisco de Orellana, mais conhecida como El Coca. Esta escolha teve um valor simbólico, pois, deste mesmo ponto, em 12 de fevereiro de 1542, partiram as embarcações do colonizador que deu nome à cidade.
Hoje, nesta mesma latitude, partimos mais de 60 organizações indígenas e de defesa da natureza com a intenção de confrontar nosso passado colonial e extrativista para converter a dor da devastação em ação coletiva.
“Esta flotilha não é apenas um protesto, é uma mensagem viva que navega pelas veias da Amazônia. O próprio rio nos mostra suas cicatrizes: as manchas de petróleo, a ferida da mineração. Não viemos apenas para levar um problema à COP30; viemos para apresentar as respostas que nossos povos e a floresta cultivaram por milênios” – Alexis Grefa, jovem kichwa amazônico do Equador.
Como Flotilha Amazônica Yaku Mama, navegamos com um chamado coletivo por Justiça Climática rumo à COP30, o evento de maior relevância internacional no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Nossa mensagem é contundente: a era dos combustíveis fósseis na Amazônia deve chegar ao fim, não queremos que a Amazônia se converta em uma nova zona de sacrifício.
Da Geleira Cayambe rumo ao Rio Amazonas

“Geleiras, rios e a floresta tropical não são mundos separados, são um só corpo, um ciclo Sagrado que sustenta a vida” – Leo Cerda, líder indígena e ativista
9 de outubro. Cayambe, Pichincha, Equador.
O primeiro ponto da expedição foi o Vulcão Cayambe, a mais de 4.600 metros acima do nível do mar na Cordilheira dos Andes, Equador. Mesmo aqui, tão longe dos centros povoados, em um espaço que aparenta ser unicamente natural e até inóspito para o ser humano, é possível ver os efeitos das mudanças climáticas: a neve recua ano após ano e a superfície da geleira diminuiu. Outras geleiras na região sofrem com os mesmos problemas. Segundo um relatório da iniciativa MapBiomas Água, entre 1985 e 2022, perderam-se 184 mil hectares (56%) de superfície de geleiras nos países amazônicos.

A perda das geleiras tem um impacto direto na alteração dos ciclos de chuva, na deterioração do solo e no acesso à água, o que coloca em condição de vulnerabilidade as populações que dependem da saúde desses ecossistemas. Além disso, evidencia o aquecimento global; sem gelo e geleiras, o planeta ficará sem reservas de água, elemento básico para a vida.
É significativo que nossa viagem simbolicamente se inicie aqui, um convite a refletir sobre a incidência do dano ambiental na região. Nos convida a entender como se vinculam dois mundos aparentemente separados: a Serra (Cordilheira dos Andes) e a Amazônia. De geleiras como o Cayambe provém a água que alimenta a selva e que flui até o Amazonas para depois voltar às suas alturas em um ciclo sagrado.

No alto da Mama Cayambe, huaca sagrada dos povos kichwa andinos, vivenciamos uma cerimônia ancestral, focada na importância das geleiras, dos páramos andinos e sua conexão com a Amazônia. Aqui também elevamos uma mensagem clamando pela conscientização de que esse ciclo está ameaçado pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas. Saudando e recolhendo a energia e a força dos indígenas dos Andes, comunidades que se encontravam em resistência — povo Kayambi, Otavalo, Natabuela, Karanki —, iniciamos o percurso.
Visitamos setores emblemáticos da cidade de Quito, descansamos e organizamos a logística e a bagagem de nossa viagem terrestre para descer dos Andes à Amazônia.
Narrativas anti-hegemônicas e juventudes amazônicas em defesa da Amazônia frente às mudanças climáticas

13 de outubro. Serena, Napo, Equador.
Das alturas dos páramos e do vento frio das montanhas, nos dirigimos ao coração do território kichwa amazônico na província de Napo. Seguimos o curso de uma estrada que avança pela margem do rio até chegar a uma ponte de pedestres que é a passagem para a comunidade de Serena.
Iniciamos o dia com uma cerimônia de boas-vindas, apresentação e agradecimento aos elementos. A comunidade nos recebeu com um café da manhã típico e ao abrigo do calor que caracteriza os climas tropicais úmidos e que anunciava o tom que nos esperaria em nossa viagem até Belém.
Serena é célebre por seu ativismo e liderança na defesa do território e na ação climática. Esta região foi afetada pela mineração de ouro, que provoca a destruição de florestas, a contaminação de fontes hídricas e a degradação de ecossistemas. Entre as iniciativas mais reconhecidas de Serena estão o Fórum Mundial de Jovens Indígenas sobre Mudanças Climáticas e a Guarda Indígena Yuturi Warmi, esta última dirigida por mais de 40 mulheres indígenas.

Aqui participamos da Oficina: “Narrativas Anti-Hegemônicas e Juventudes Amazônicas em Defesa da Amazônia frente às Mudanças Climáticas”. Foi um espaço de criação coletiva para pensar estratégias que nos permitam fazer com que a palavra e a arte se transformem em ferramentas de defesa do território, da cultura e da vida.
Construímos reflexões que nos permitiram observar nossa história pessoal, comunitária, territorial e ambiental como esferas que nos entrelaçam e permitem gerar vínculos e estratégias de organização transfronteiriças.

O encontro foi recebido e liderado pelas mulheres de Yuturi Warmi, junto a comunicadores e artistas que nos contaram sobre sua luta contra a mineração e toda forma de invasão a seus territórios ancestrais. Foi o primeiro encontro para compartilhar a diversidade de problemáticas que afetam todas as comunidades. Participaram delegações do Equador, Colômbia, Guatemala, México, Brasil e Panamá.
Garimpo Ilegal e Mulheres Líderes

Em Serena, nossa tripulação também entrou no território do rio Jatun Yaku, onde testou suas habilidades náuticas fazendo rafting em suas águas. Além disso, pudemos fazer um percurso para conhecer em primeira mão os impactos da mineração de ouro nos rios e comunidades amazônicas.
Depois, participamos da Roda de Conversa “Mineração ilegal em Napo, mulheres e resistência”. Este espaço permitiu que os jovens da comunidade levantassem sua voz e expressassem suas reivindicações diante do avanço de atividades extrativistas e dos efeitos nocivos no meio ambiente.

Exemplo disso é o desmatamento da selva. No Alto Rio Napo, foram desmatados mais de 500 hectares desde 2017 como consequência direta de atividades de mineração, e em 2024 foram reportados outros 204 hectares afetados, o que gerou contaminação por metais pesados e sedimentação, afetando comunidades indígenas, fauna e áreas protegidas.
Após um dia de intensa atividade, deixamos para trás a Comunidade de Serena, levando conosco o aprendizado das Yuturi Warmi e sua voz de resistência para nos dirigirmos à cidade de El Coca, de onde zarparíamos pelo rio Napo rumo a Belém.

Contaminação por petróleo e organização comunitária: Toxic Tour e a UDAPT

14 de Outubro. Francisco de Orellana, Equador.
Percorremos comunidades e vilarejos dos arredores da cidade de Francisco de Orellana, conhecida popularmente como El Coca, e realizamos um TOXIC TOUR para identificar os impactos ambientais deixados pela extração de petróleo desde os anos 70 do século XX. É uma iniciativa criada em 2003 para dar maior visibilidade aos impactos reais que as empresas petrolíferas deixam como sequelas após suas atividades.
Compartilhamos especialmente com nosso guia Donald Moncayo, porta-voz da União de Afetados e Afetadas pelas Operações Petrolíferas da Texaco (UDAPT). Esta organização realiza o trabalho jurídico, bem como o estudo acadêmico dos impactos gerados pelas atividades de extração de petróleo. É uma associação onde seus membros são de 6 nacionalidades indígenas: Waorani, Siekopai, Siona, A’I Kofan, Shuar e Kichwa, e cerca de 80 comunidades camponesas mestiças, todas habitantes de territórios da Amazônia equatoriana.

Esta união diante de uma mesma afetação nos permite observar que uma solução para a crise climática é a organização social popular entre várias nacionalidades, etnias e camponeses mestiços. É um exemplo de como somos afetados pela contaminação das águas dos rios, pela poluição do ar e pela consequência da chuva ácida da mesma forma, como habitantes de um mesmo território. Igualmente, toda a contaminação gerada é reconhecida como responsabilidade direta das empresas extrativistas e da negligência dos governos.
É um modelo organizativo que nos permite refletir que, para além da etnia, todos somos afetados por um modelo extrativista. Nossa fortaleza é a organização e a união a partir do encontro como habitantes das mesmas bacias hídricas, dos ecossistemas e, finalmente, como terráqueos que dependemos de nosso planeta e sua complexidade biodiversa para o sustento.
A UDAPT tem processos ganhos contra a empresa transnacional Texaco, hoje Chevron, devido aos danos ambientais ocasionados por suas operações petrolíferas nos anos de 1964-1990.
“A Texaco perfurou 356 poços de petróleo em uma área de 480.000 hectares, onde se encontram 880 poças que não possuem nenhuma proteção como geomembrana, concreto ou mesmo plástico. Todas elas estão apenas cheias de petróleo. Essas poças foram construídas perto dos aquíferos de água doce, que são contaminados, pois com a chuva as poças se enchiam e transbordavam”. – Site da UDAPT
Entre as consequências mais nocivas está o aumento de casos de câncer, especialmente de colo de útero, pele e afetações a órgãos do sistema digestivo. Vários dos companheiros compartilharam suas experiências de ter familiares com doenças catastróficas.
Estivemos perto de locais onde eram descartadas águas de formação, uma mistura de petróleo com outros minerais, incluindo água, que eram derramadas diretamente na terra. Passaram-se mais de 40 anos desde as primeiras extrações e até hoje, ao cavar duas ou três pás, encontram-se manchas negras na terra. Isso demonstra a negligência das empresas que realizaram esses trabalhos, assim como do Estado equatoriano, que não provê centros de saúde nem formas de compensar as afetações das quais a população foi vítima.

Percorremos também espaços onde observamos os conhecidos mecheros (queimadores), grandes estruturas que conduzem o gás natural liberado dos poços de petróleo e o encaminham para grandes estruturas para ser incinerado. Eles causam danos principalmente ao ar, pois geram fumaça e cinzas. Ao redor, os insetos e outros animais da selva são afetados, pois se sentem atraídos pela luz e acabam incinerados.
A fumaça liberada pelos queimadores se condensa e, ao gerar precipitação, se converte em chuva ácida, que destrói a vegetação, os animais, a infraestrutura dos moradores e contamina as plantações, as roupas e tudo o que está exposto às águas da chuva.
“A água da chuva é contaminada pelos queimadores e até agora há 322 comunidades na Amazônia que não têm água potável”, nos disse Moncayo ao exigir o fechamento dos queimadores: “Fazemos um chamado aos líderes mundiais para a transição ecológica como a única alternativa para frear as mudanças climáticas”

Finalizamos o percurso realizando uma roda de conversa onde compartilhamos nossas impressões diante de tanta devastação. Com o coração muito impactado, os caciques de Oiapoque (Estado do Amapá), da delegação do Brasil, compartilharam suas impressões. Observar esta emblemática luta contra a exploração petrolífera os encorajava, pois dentro de seu território compartilham a mesma ameaça pela expansão da empresa Petrobrás.
O Funeral dos Combustíveis Fósseis

15 de outubro. El Coca, Equador.
Carregados com as impressões do toxic tour, na manhã seguinte nossa tripulação da Flotilha Yaku Mama participou da Roda de Conversa: “O Fim dos Combustíveis Fósseis” e da ação simbólica “Funeral dos Combustíveis Fósseis”. Na primeira parte desta atividade, ouvimos uma exposição detalhada dos danos ocasionados pela expansão da exploração petrolífera na Amazônia, assim como as palavras de líderes e lideranças de diferentes latitudes da Amazônia equatoriana, peruana, colombiana e brasileira.
Segundo o meio de comunicação InfoAmazonia e o Instituto Internacional Arayara, que trabalha na defesa do meio ambiente, a extração de petróleo afeta 441 territórios ancestrais e 61 áreas naturais protegidas, devorando a selva e ameaçando diretamente a vida e a autodeterminação dos povos indígenas. Além disso, entre os anos 2000 e 2023, o Peru registrou 831 derramamentos de petróleo, e o Equador, 1.584 entre 2012 e 2022.

Mais uma vez, após ouvir as problemáticas ambientais, nossa flotilha realizou atos simbólicos para nos purificarmos, recebermos força e energia que contribuam com nossos principais propósitos: visibilizar os impactos desta expansão extrativista e, ao mesmo tempo, exigir o fim das atividades petrolíferas nos territórios dos povos amazônicos.
Como ato de encerramento para este dia, realizamos o funeral dos combustíveis fósseis. Esta ação coletiva ocorreu em frente ao monumento ao primeiro colonizador da Amazônia, Francisco de Orellana, que foi coberto de preto e onde simbolicamente devolvemos o petróleo ao solo. Assim, enterramos uma história de morte para semear uma de vida.

A este ato nos somamos com uma Marcha pela Vida, percorrendo as ruas de El Coca, com cartazes, arte, batucada e palavras de ordem, onde honramos a memória dos defensores ambientais que tombaram nos últimos anos e exigimos a proteção dos territórios, elevando a mensagem: “o fim dos combustíveis fósseis é o começo da vida”. Reconhecendo e retornando à ordem natural perfeita: manter os minerais sob o solo e, acima, a vida.
Início oficial da viagem fluvial da Flotilha

16 de outubro. Puerto Francisco de Orellana, Equador.
Arrumamos os últimos detalhes logísticos e, por volta do meio-dia, nos despedimos da cidade de El Coca. A Flotilha Amazônica Yaku Mama zarpou do rio Napo com rumo à cidade de Nuevo Rocafuerte, na fronteira do Equador com o Peru, nossa próxima parada em um longo caminho até a COP30 em Belém.
“Este é um chamado de esperança, de solidariedade entre os povos. Agora nos dirigimos ao Rio Amazonas, um dos rios mais importantes que sustentam a vida. Iniciamos tendo um espaço de intercâmbio e de reconhecimento dos territórios que estão na linha de frente defendendo a floresta amazônica” – Lucía Ixchiu, artista e gestora cultural Maya K’iche.

Com esta viagem simbólica, invertemos a rota histórica da conquista, transformando-a em um caminho de conexão, resistência e empoderamento. Navegamos como nossos ancestrais, para conectar as vozes dos territórios amazônicos e amplificá-las para que o mundo inteiro as escute.
“Em nossa rota pelos rios da Amazônia, levamos um convite à vida, à esperança e ao reencontro, desafiando o legado de violência, exploração e colonização. Esta travessia não é de conquista e extermínio, mas de unidade, reencontros e soluções a partir do território” – Leo Cerda, líder indígena e ativista.

Nossa flotilha, composta por uma delegação de 56 pessoas e mais de 60 organizações, navegará 3.000 quilômetros para denunciar as cicatrizes do extrativismo e exigir uma transição energética justa и vinculante na COP30, que será realizada no início de novembro.
Visita ao Parque Nacional Yasuní

17 de outubro. Puerto Rocafuerte, Equador.
Após 6 horas de viagem de lancha pelo rio Napo, chegamos ao extremo oriental do território equatoriano e descansamos uma noite na cidade de Nuevo Rocafuerte. Na manhã seguinte, realizamos os trâmites de migração e percorremos o Parque Nacional Yasuní. Esta é uma das áreas mais biodiversas do planeta e reconhecida como uma reserva da biosfera pela UNESCO. Também é lar ancestral do povo Waorani, um povo em contato inicial, e dos Tagaeri e Taromenane, estes dois últimos comunidades em isolamento voluntário.
Em meio à riqueza natural e à abundância do Yasuní, encontramos mais uma vez que a maior ameaça que este espaço enfrenta vem da exploração petrolífera, uma atividade que já dura mais de três décadas na região. Desde 1992, a Texaco obteve uma licença para o Bloco 16, e posteriormente se somou a do Bloco 43 – ITT em 2013.
As atividades petrolíferas ocasionaram a perda de habitats altamente biodiversos, desmatamento, contaminação da água, doenças e perda de autonomia, de acordo com relatórios da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG).
Diante dessa realidade, desde 2007 no Equador foi proposta a iniciativa histórica e simbólica de deixar o petróleo dos campos Ishpingo, Tiputini e Tambococha, localizados dentro do Parque Nacional Yasuní, sob o subsolo — não explorar o petróleo e, em troca, fomentar um plano de arrecadação econômica que gerasse renda para o país.
Após anos de trabalho conjunto entre comunidades indígenas e habitantes da Amazônia, coletivos ambientalistas da sociedade civil e a iniciativa estatal, em agosto de 2013 o governo de Rafael Correa decidiu abrir as concessões e os trabalhos petrolíferos dentro do Yasuní. A resposta foi uma tremenda mobilização social e a articulação do coletivo Yasunidos. Imediatamente, organizou-se uma campanha de iniciativa social, civil e comunitária para realizar uma Consulta Popular onde todo o Equador decidisse sobre o futuro do Parque Nacional.

Após quase 10 anos de luta, perseguição e resistência por parte de Yasunidos e dos povos amazônicos, defendendo os direitos de indígenas em isolamento voluntário, realizou-se a Consulta Popular, que propunha manter sem exploração os poços que se encontram dentro do Parque Nacional Yasuní. O resultado foi esperançador: um retumbante “Sim” à conservação da biodiversidade, ao petróleo sob o solo e aos direitos das comunidades amazônicas de ter um ambiente saudável.
“Após a verificação dos resultados oficiais e o respaldo do controle eleitoral cidadão articulado, verifica-se que a opção do ‘sim’ alcançou 5.541.585 votos, ou seja, 58,95% do total de votos válidos, tornando-se o mais importante consenso nacional dos últimos 20 anos.” – Página Oficial Yasunidos
O mandato popular equatoriano que impulsionou a proibição do projeto petrolífero ITT não se concretizou porque, até este momento, o governo equatoriano não cumpriu com o fechamento do bloco. Uma de tantas dívidas que deixa sua cicatriz na Amazônia e que nos lembra da importância da missão de nossa Flotilha Amazônica e de nossa exigência pelo fim das atividades extrativistas nos territórios amazônicos e pela preservação de seus povos.
Atravessamos os escritórios de migração no Equador em Nuevo Rocafuerte, pegamos uma lancha para uma viagem de uma hora que nos levou a Cabo Pantoja, um povoado peruano onde realizamos os trâmites migratórios, compartilhamos um almoço com a comunidade e, à tarde, partimos em uma embarcação peruana para seguir avançando rio abaixo pelo Napo.
Aguarde em breve nosso resumo da segunda semana de travessia.