{"id":5821,"date":"2025-10-30T01:32:43","date_gmt":"2025-10-30T01:32:43","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/dos-andes-a-amazonia-os-primeiros-passos-da-travessia-da-flotilha-amazonica-yaku-mama\/"},"modified":"2025-10-29T22:20:28","modified_gmt":"2025-10-29T22:20:28","slug":"dos-andes-a-amazonia-os-primeiros-passos-da-travessia-da-flotilha-amazonica-yaku-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/pt-br\/dos-andes-a-amazonia-os-primeiros-passos-da-travessia-da-flotilha-amazonica-yaku-mama\/","title":{"rendered":"O rio nos une: dos Andes \u00e0 Amaz\u00f4nia, navegamos para curar a Terra"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dos Andes \u00e0 Amaz\u00f4nia: os primeiros passos da travessia da Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama<\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688467-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5757\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688467-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688467-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688467-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688467-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688467.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Quito, capital equatoriana localizada no centro do planeta, sobre a Cordilheira dos Andes. Bel\u00e9m, capital do estado do Par\u00e1, Brasil, situada sobre o rio Amazonas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua foz no Oceano Atl\u00e2ntico. Mais de 3.000 km n\u00e3o medem apenas a dist\u00e2ncia entre estes dois pontos em um mapa, mas tamb\u00e9m abrangem os diversos habitats da diversidade biol\u00f3gica e da conviv\u00eancia cultural de povos e nacionalidades ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Sul, desde o cume das geleiras at\u00e9 as profundezas da Amaz\u00f4nia.  <\/p>\n\n<p>Nosso objetivo \u00e9 chegar \u00e0 COP30, a Confer\u00eancia das Partes sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU. Este ano, ela ser\u00e1 celebrada em Bel\u00e9m do Par\u00e1. O ponto de partida de nossa viagem \u00e9 Quito. Durante nossa travessia, documentamos com a inten\u00e7\u00e3o de visibilizar as problem\u00e1ticas da explora\u00e7\u00e3o mineradora, petrol\u00edfera, do desmatamento, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seu impacto ambiental em nossas comunidades.    <\/p>\n\n<p>Nosso caminho \u00e9 tra\u00e7ado pela senda da \u00e1gua, desde geleiras e p\u00e1ramos at\u00e9 a densa selva amaz\u00f4nica, em um ciclo vital do qual tomamos nosso nome: <a href=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/pt-br\/\">Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama<\/a>. <\/p>\n\n<p>Iniciamos a viagem fluvial no porto da cidade de Francisco de Orellana, mais conhecida como El Coca. Esta escolha teve um valor simb\u00f3lico, pois, deste mesmo ponto, em 12 de fevereiro de 1542, partiram as embarca\u00e7\u00f5es do colonizador que deu nome \u00e0 cidade. <\/p>\n\n<p>Hoje, nesta mesma latitude, partimos mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e de defesa da natureza com a inten\u00e7\u00e3o de confrontar nosso passado colonial e extrativista para converter a dor da devasta\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n<p><em>&#8220;Esta flotilha n\u00e3o \u00e9 apenas um protesto, \u00e9 uma mensagem viva que navega pelas veias da Amaz\u00f4nia. O pr\u00f3prio rio nos mostra suas cicatrizes: as manchas de petr\u00f3leo, a ferida da minera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o viemos apenas para levar um problema \u00e0 COP30; viemos para apresentar as respostas que nossos povos e a floresta cultivaram por mil\u00eanios\u201d &#8211; Alexis Grefa, jovem kichwa amaz\u00f4nico do Equador.  <\/em><\/p>\n\n<p>Como Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama, <a href=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/pt-br\/rota\/\">navegamos<\/a> com um chamado coletivo por Justi\u00e7a Clim\u00e1tica rumo \u00e0 <a href=\"https:\/\/cop30.br\/es\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COP30<\/a>, o evento de maior relev\u00e2ncia internacional no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC). Nossa mensagem \u00e9 contundente: a era dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na Amaz\u00f4nia deve chegar ao fim, n\u00e3o queremos que a Amaz\u00f4nia se converta em uma nova zona de sacrif\u00edcio. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da Geleira Cayambe rumo ao Rio Amazonas<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688496-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5758\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688496-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688496-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688496-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688496-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688496-2.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p><em>\u201cGeleiras, rios e a floresta tropical n\u00e3o s\u00e3o mundos separados, s\u00e3o um s\u00f3 corpo, um ciclo Sagrado que sustenta a vida\u201d \u2013 Leo Cerda, l\u00edder ind\u00edgena e ativista<\/em><\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p>9 de outubro. Cayambe, Pichincha, Equador. <\/p>\n\n<p>O primeiro ponto da expedi\u00e7\u00e3o foi o Vulc\u00e3o Cayambe, a mais de 4.600 metros acima do n\u00edvel do mar na Cordilheira dos Andes, Equador. Mesmo aqui, t\u00e3o longe dos centros povoados, em um espa\u00e7o que aparenta ser unicamente natural e at\u00e9 in\u00f3spito para o ser humano, \u00e9 poss\u00edvel ver os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: a neve recua ano ap\u00f3s ano e a superf\u00edcie da geleira diminuiu. Outras geleiras na regi\u00e3o sofrem com os mesmos problemas. Segundo um relat\u00f3rio da iniciativa MapBiomas \u00c1gua, entre 1985 e 2022, perderam-se 184 mil hectares (56%) de superf\u00edcie de geleiras nos pa\u00edses amaz\u00f4nicos.    <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CeremoniaAncestral_Glaciar-Cayambe_Dia2_@FlotillaYakuMama-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5332\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CeremoniaAncestral_Glaciar-Cayambe_Dia2_@FlotillaYakuMama-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CeremoniaAncestral_Glaciar-Cayambe_Dia2_@FlotillaYakuMama-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CeremoniaAncestral_Glaciar-Cayambe_Dia2_@FlotillaYakuMama-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CeremoniaAncestral_Glaciar-Cayambe_Dia2_@FlotillaYakuMama-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CeremoniaAncestral_Glaciar-Cayambe_Dia2_@FlotillaYakuMama-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p>A perda das geleiras tem um impacto direto na altera\u00e7\u00e3o dos ciclos de chuva, na deteriora\u00e7\u00e3o do solo e no acesso \u00e0 \u00e1gua, o que coloca em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade as popula\u00e7\u00f5es que dependem da sa\u00fade desses ecossistemas. Al\u00e9m disso, evidencia o aquecimento global; sem gelo e geleiras, o planeta ficar\u00e1 sem reservas de \u00e1gua, elemento b\u00e1sico para a vida. <\/p>\n\n<p>\u00c9 significativo que nossa viagem simbolicamente se inicie aqui, um convite a refletir sobre a incid\u00eancia do dano ambiental na regi\u00e3o. Nos convida a entender como se vinculam dois mundos aparentemente separados: a Serra (Cordilheira dos Andes) e a Amaz\u00f4nia. De geleiras como o Cayambe prov\u00e9m a \u00e1gua que alimenta a selva e que flui at\u00e9 o Amazonas para depois voltar \u00e0s suas alturas em um ciclo sagrado.  <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688484-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5762\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688484-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688484-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688484-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688484-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5138878243560688484.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>No alto da Mama Cayambe, huaca sagrada dos povos kichwa andinos, vivenciamos uma cerim\u00f4nia ancestral, focada na import\u00e2ncia das geleiras, dos p\u00e1ramos andinos e sua conex\u00e3o com a Amaz\u00f4nia. Aqui tamb\u00e9m elevamos uma mensagem clamando pela conscientiza\u00e7\u00e3o de que esse ciclo est\u00e1 amea\u00e7ado pelo desmatamento e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Saudando e recolhendo a energia e a for\u00e7a dos ind\u00edgenas dos Andes, comunidades que se encontravam em resist\u00eancia \u2014 povo Kayambi, Otavalo, Natabuela, Karanki \u2014, iniciamos o percurso.  <\/p>\n\n<p>Visitamos setores emblem\u00e1ticos da cidade de Quito, descansamos e organizamos a log\u00edstica e a bagagem de nossa viagem terrestre para descer dos Andes \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Narrativas anti-hegem\u00f4nicas e juventudes amaz\u00f4nicas em defesa da Amaz\u00f4nia frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5433701227004299413-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5759\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5433701227004299413-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5433701227004299413-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5433701227004299413-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5433701227004299413-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>13 de outubro. Serena, Napo, Equador. <\/p>\n\n<p>Das alturas dos p\u00e1ramos e do vento frio das montanhas, nos dirigimos ao cora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio kichwa amaz\u00f4nico na prov\u00edncia de Napo. Seguimos o curso de uma estrada que avan\u00e7a pela margem do rio at\u00e9 chegar a uma ponte de pedestres que \u00e9 a passagem para a comunidade de Serena.  <\/p>\n\n<p>Iniciamos o dia com uma cerim\u00f4nia de boas-vindas, apresenta\u00e7\u00e3o e agradecimento aos elementos. A comunidade nos recebeu com um caf\u00e9 da manh\u00e3 t\u00edpico e ao abrigo do calor que caracteriza os climas tropicais \u00famidos e que anunciava o tom que nos esperaria em nossa viagem at\u00e9 Bel\u00e9m.  <\/p>\n\n<p>Serena \u00e9 c\u00e9lebre por seu ativismo e lideran\u00e7a na defesa do territ\u00f3rio e na a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Esta regi\u00e3o foi afetada pela minera\u00e7\u00e3o de ouro, que provoca a destrui\u00e7\u00e3o de florestas, a contamina\u00e7\u00e3o de fontes h\u00eddricas e a degrada\u00e7\u00e3o de ecossistemas. Entre as iniciativas mais reconhecidas de Serena est\u00e3o o F\u00f3rum Mundial de Jovens Ind\u00edgenas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e a Guarda Ind\u00edgena Yuturi Warmi, esta \u00faltima dirigida por mais de 40 mulheres ind\u00edgenas.   <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9948-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5761\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9948-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9948-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9948-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9948-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9948-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Aqui participamos da Oficina: \u201cNarrativas Anti-Hegem\u00f4nicas e Juventudes Amaz\u00f4nicas em Defesa da Amaz\u00f4nia frente \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas\u201d. Foi um espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o coletiva para pensar estrat\u00e9gias que nos permitam fazer com que a palavra e a arte se transformem em ferramentas de defesa do territ\u00f3rio, da cultura e da vida.  <\/p>\n\n<p>Constru\u00edmos reflex\u00f5es que nos permitiram observar nossa hist\u00f3ria pessoal, comunit\u00e1ria, territorial e ambiental como esferas que nos entrela\u00e7am e permitem gerar v\u00ednculos e estrat\u00e9gias de organiza\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7as.<\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5431449427190611011-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5760\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5431449427190611011-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5431449427190611011-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5431449427190611011-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5431449427190611011-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>O encontro foi recebido e liderado pelas mulheres de Yuturi Warmi, junto a comunicadores e artistas que nos contaram sobre sua luta contra a minera\u00e7\u00e3o e toda forma de invas\u00e3o a seus territ\u00f3rios ancestrais. Foi o primeiro encontro para compartilhar a diversidade de problem\u00e1ticas que afetam todas as comunidades. Participaram delega\u00e7\u00f5es do Equador, Col\u00f4mbia, Guatemala, M\u00e9xico, Brasil e Panam\u00e1. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Garimpo Ilegal e Mulheres L\u00edderes<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9791-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5765\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9791-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9791-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9791-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9791-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9791-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Em Serena, nossa tripula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m entrou no territ\u00f3rio do rio Jatun Yaku, onde testou suas habilidades n\u00e1uticas fazendo rafting em suas \u00e1guas. Al\u00e9m disso, pudemos fazer um percurso para conhecer em primeira m\u00e3o os impactos da minera\u00e7\u00e3o de ouro nos rios e comunidades amaz\u00f4nicas. <\/p>\n\n<p>Depois, participamos da Roda de Conversa \u201cMinera\u00e7\u00e3o ilegal em Napo, mulheres e resist\u00eancia\u201d. Este espa\u00e7o permitiu que os jovens da comunidade levantassem sua voz e expressassem suas reivindica\u00e7\u00f5es diante do avan\u00e7o de atividades extrativistas e dos efeitos nocivos no meio ambiente. <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9845-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5764\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9845-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9845-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9845-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9845-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9845-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Exemplo disso \u00e9 o desmatamento da selva. No Alto Rio Napo, foram desmatados mais de 500 hectares desde 2017 como consequ\u00eancia direta de atividades de minera\u00e7\u00e3o, e em 2024 foram reportados outros 204 hectares afetados, o que gerou contamina\u00e7\u00e3o por metais pesados e sedimenta\u00e7\u00e3o, afetando comunidades ind\u00edgenas, fauna e \u00e1reas protegidas.  <\/p>\n\n<p>Ap\u00f3s um dia de intensa atividade, deixamos para tr\u00e1s a Comunidade de Serena, levando conosco o aprendizado das Yuturi Warmi e sua voz de resist\u00eancia para nos dirigirmos \u00e0 cidade de El Coca, de onde zarpar\u00edamos pelo rio Napo rumo a Bel\u00e9m.<\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9878-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5763\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9878-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9878-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9878-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9878-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/LEVI9878-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contamina\u00e7\u00e3o por petr\u00f3leo e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria: Toxic Tour e a UDAPT<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-39-25-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5766\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-39-25-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-39-25-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-39-25-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-39-25-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-39-25-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>14 de Outubro. Francisco de Orellana, Equador. <\/p>\n\n<p>Percorremos comunidades e vilarejos dos arredores da cidade de Francisco de Orellana, conhecida popularmente como El Coca, e realizamos um <em>TOXIC TOUR<\/em> para identificar os impactos ambientais deixados pela extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo desde os anos 70 do s\u00e9culo XX. \u00c9 uma iniciativa criada em 2003 para dar maior visibilidade aos impactos reais que as empresas petrol\u00edferas deixam como sequelas ap\u00f3s suas atividades. <\/p>\n\n<p>Compartilhamos especialmente com nosso guia Donald Moncayo, porta-voz da Uni\u00e3o de Afetados e Afetadas pelas Opera\u00e7\u00f5es Petrol\u00edferas da Texaco (UDAPT). Esta organiza\u00e7\u00e3o realiza o trabalho jur\u00eddico, bem como o estudo acad\u00eamico dos impactos gerados pelas atividades de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. \u00c9 uma associa\u00e7\u00e3o onde seus membros s\u00e3o de 6 nacionalidades ind\u00edgenas: Waorani, Siekopai, Siona, A\u2019I Kofan, Shuar e Kichwa, e cerca de 80 comunidades camponesas mesti\u00e7as, todas habitantes de territ\u00f3rios da Amaz\u00f4nia equatoriana.  <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-51-52-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5768\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-51-52-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-51-52-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-51-52-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-51-52-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-51-52-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Esta uni\u00e3o diante de uma mesma afeta\u00e7\u00e3o nos permite observar que uma solu\u00e7\u00e3o para a crise clim\u00e1tica \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o social popular entre v\u00e1rias nacionalidades, etnias e camponeses mesti\u00e7os. \u00c9 um exemplo de como somos afetados pela contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas dos rios, pela polui\u00e7\u00e3o do ar e pela consequ\u00eancia da chuva \u00e1cida da mesma forma, como habitantes de um mesmo territ\u00f3rio. Igualmente, toda a contamina\u00e7\u00e3o gerada \u00e9 reconhecida como responsabilidade direta das empresas extrativistas e da neglig\u00eancia dos governos.  <\/p>\n\n<p>\u00c9 um modelo organizativo que nos permite refletir que, para al\u00e9m da etnia, todos somos afetados por um modelo extrativista. Nossa fortaleza \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o e a uni\u00e3o a partir do encontro como habitantes das mesmas bacias h\u00eddricas, dos ecossistemas e, finalmente, como terr\u00e1queos que dependemos de nosso planeta e sua complexidade biodiversa para o sustento. <\/p>\n\n<p>A UDAPT tem processos ganhos contra a empresa transnacional Texaco, hoje Chevron, devido aos danos ambientais ocasionados por suas opera\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas nos anos de 1964-1990.<\/p>\n\n<p>\u201cA Texaco perfurou 356 po\u00e7os de petr\u00f3leo em uma \u00e1rea de 480.000 hectares, onde se encontram 880 po\u00e7as que n\u00e3o possuem nenhuma prote\u00e7\u00e3o como geomembrana, concreto ou mesmo pl\u00e1stico. Todas elas est\u00e3o apenas cheias de petr\u00f3leo. Essas po\u00e7as foram constru\u00eddas perto dos aqu\u00edferos de \u00e1gua doce, que s\u00e3o contaminados, pois com a chuva as po\u00e7as se enchiam e transbordavam\u201d. <em>&#8211; Site da UDAPT<\/em><\/p>\n\n<p>Entre as consequ\u00eancias mais nocivas est\u00e1 o aumento de casos de c\u00e2ncer, especialmente de colo de \u00fatero, pele e afeta\u00e7\u00f5es a \u00f3rg\u00e3os do sistema digestivo. V\u00e1rios dos companheiros compartilharam suas experi\u00eancias de ter familiares com doen\u00e7as catastr\u00f3ficas. <\/p>\n\n<p>Estivemos perto de locais onde eram descartadas \u00e1guas de forma\u00e7\u00e3o, uma mistura de petr\u00f3leo com outros minerais, incluindo \u00e1gua, que eram derramadas diretamente na terra. Passaram-se mais de 40 anos desde as primeiras extra\u00e7\u00f5es e at\u00e9 hoje, ao cavar duas ou tr\u00eas p\u00e1s, encontram-se manchas negras na terra. Isso demonstra a neglig\u00eancia das empresas que realizaram esses trabalhos, assim como do Estado equatoriano, que n\u00e3o prov\u00ea centros de sa\u00fade nem formas de compensar as afeta\u00e7\u00f5es das quais a popula\u00e7\u00e3o foi v\u00edtima.  <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5767\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09-682x1024.jpg 682w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09-200x300.jpg 200w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09-768x1152.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-50-09.jpg 1706w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Percorremos tamb\u00e9m espa\u00e7os onde observamos os conhecidos mecheros (queimadores), grandes estruturas que conduzem o g\u00e1s natural liberado dos po\u00e7os de petr\u00f3leo e o encaminham para grandes estruturas para ser incinerado. Eles causam danos principalmente ao ar, pois geram fuma\u00e7a e cinzas. Ao redor, os insetos e outros animais da selva s\u00e3o afetados, pois se sentem atra\u00eddos pela luz e acabam incinerados. <\/p>\n\n<p>A fuma\u00e7a liberada pelos queimadores se condensa e, ao gerar precipita\u00e7\u00e3o, se converte em chuva \u00e1cida, que destr\u00f3i a vegeta\u00e7\u00e3o, os animais, a infraestrutura dos moradores e contamina as planta\u00e7\u00f5es, as roupas e tudo o que est\u00e1 exposto \u00e0s \u00e1guas da chuva.<\/p>\n\n<p><em>\u201cA \u00e1gua da chuva \u00e9 contaminada pelos queimadores e at\u00e9 agora h\u00e1 322 comunidades na Amaz\u00f4nia que n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua pot\u00e1vel\u201d, nos disse Moncayo ao exigir o fechamento dos queimadores: \u201cFazemos um chamado aos l\u00edderes mundiais para a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica como a \u00fanica alternativa para frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d<\/em><\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5769\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29-682x1024.jpg 682w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29-200x300.jpg 200w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29-768x1152.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-20_09-54-29.jpg 1706w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Finalizamos o percurso realizando uma roda de conversa onde compartilhamos nossas impress\u00f5es diante de tanta devasta\u00e7\u00e3o. Com o cora\u00e7\u00e3o muito impactado, os caciques de Oiapoque (Estado do Amap\u00e1), da delega\u00e7\u00e3o do Brasil, compartilharam suas impress\u00f5es. Observar esta emblem\u00e1tica luta contra a explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera os encorajava, pois dentro de seu territ\u00f3rio compartilham a mesma amea\u00e7a pela expans\u00e3o da empresa Petrobr\u00e1s.  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Funeral dos Combust\u00edveis F\u00f3sseis<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-15_15-10-11-2-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5771\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-15_15-10-11-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-15_15-10-11-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-15_15-10-11-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-15_15-10-11-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>15 de outubro. El Coca, Equador. <\/p>\n\n<p>Carregados com as impress\u00f5es do toxic tour, na manh\u00e3 seguinte nossa tripula\u00e7\u00e3o da Flotilha Yaku Mama participou da Roda de Conversa: &#8220;O Fim dos Combust\u00edveis F\u00f3sseis&#8221; e da a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica \u201cFuneral dos Combust\u00edveis F\u00f3sseis\u201d. Na primeira parte desta atividade, ouvimos uma exposi\u00e7\u00e3o detalhada dos danos ocasionados pela expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera na Amaz\u00f4nia, assim como as palavras de l\u00edderes e lideran\u00e7as de diferentes latitudes da Amaz\u00f4nia equatoriana, peruana, colombiana e brasileira. <\/p>\n\n<p>Segundo o meio de comunica\u00e7\u00e3o InfoAmazonia e o Instituto Internacional Arayara, que trabalha na defesa do meio ambiente, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo afeta 441 territ\u00f3rios ancestrais e 61 \u00e1reas naturais protegidas, devorando a selva e amea\u00e7ando diretamente a vida e a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. Al\u00e9m disso, entre os anos 2000 e 2023, o Peru registrou 831 derramamentos de petr\u00f3leo, e o Equador, 1.584 entre 2012 e 2022.  <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marcha_FuneralCombustiblesFosiles_Dia5_Coca-Ecuador_@CercanoFoto-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5265\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marcha_FuneralCombustiblesFosiles_Dia5_Coca-Ecuador_@CercanoFoto-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marcha_FuneralCombustiblesFosiles_Dia5_Coca-Ecuador_@CercanoFoto-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marcha_FuneralCombustiblesFosiles_Dia5_Coca-Ecuador_@CercanoFoto-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marcha_FuneralCombustiblesFosiles_Dia5_Coca-Ecuador_@CercanoFoto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Mais uma vez, ap\u00f3s ouvir as problem\u00e1ticas ambientais, nossa flotilha realizou atos simb\u00f3licos para nos purificarmos, recebermos for\u00e7a e energia que contribuam com nossos principais prop\u00f3sitos: visibilizar os impactos desta expans\u00e3o extrativista e, ao mesmo tempo, exigir o fim das atividades petrol\u00edferas nos territ\u00f3rios dos povos amaz\u00f4nicos.<\/p>\n\n<p>Como ato de encerramento para este dia, realizamos o funeral dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Esta a\u00e7\u00e3o coletiva ocorreu em frente ao monumento ao primeiro colonizador da Amaz\u00f4nia, Francisco de Orellana, que foi coberto de preto e onde simbolicamente devolvemos o petr\u00f3leo ao solo. Assim, enterramos uma hist\u00f3ria de morte para semear uma de vida.   <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/DSC0882-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5770\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/DSC0882-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/DSC0882-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/DSC0882-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/DSC0882-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/DSC0882.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>A este ato nos somamos com uma Marcha pela Vida, percorrendo as ruas de El Coca, com cartazes, arte, batucada e palavras de ordem, onde honramos a mem\u00f3ria dos defensores ambientais que tombaram nos \u00faltimos anos e exigimos a prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios, elevando a mensagem: &#8220;o fim dos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 o come\u00e7o da vida&#8221;. Reconhecendo e retornando \u00e0 ordem natural perfeita: manter os minerais sob o solo e, acima, a vida. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>In\u00edcio oficial da viagem fluvial da Flotilha<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SalidaCaravana_Dia6_Coca-Ecuador_@Luis-G-Franco-1-1-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5409\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SalidaCaravana_Dia6_Coca-Ecuador_@Luis-G-Franco-1-1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SalidaCaravana_Dia6_Coca-Ecuador_@Luis-G-Franco-1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SalidaCaravana_Dia6_Coca-Ecuador_@Luis-G-Franco-1-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SalidaCaravana_Dia6_Coca-Ecuador_@Luis-G-Franco-1-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>16 de outubro. Puerto Francisco de Orellana, Equador. <\/p>\n\n<p>Arrumamos os \u00faltimos detalhes log\u00edsticos e, por volta do meio-dia, nos despedimos da cidade de El Coca. A Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama zarpou do rio Napo com rumo \u00e0 cidade de Nuevo Rocafuerte, na fronteira do Equador com o Peru, nossa pr\u00f3xima parada em um longo caminho at\u00e9 a COP30 em Bel\u00e9m.<\/p>\n\n<p><em>\u201cEste \u00e9 um chamado de esperan\u00e7a, de solidariedade entre os povos. Agora nos dirigimos ao Rio Amazonas, um dos rios mais importantes que sustentam a vida. Iniciamos tendo um espa\u00e7o de interc\u00e2mbio e de reconhecimento dos territ\u00f3rios que est\u00e3o na linha de frente defendendo a floresta amaz\u00f4nica\u201d &#8211; Luc\u00eda Ixchiu, artista e gestora cultural Maya K\u2019iche.<\/em><\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-41-36-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5774\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-41-36-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-41-36-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-41-36-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-41-36-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-41-36.jpg 1620w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Com esta viagem simb\u00f3lica, invertemos a rota hist\u00f3rica da conquista, transformando-a em um caminho de conex\u00e3o, resist\u00eancia e empoderamento. Navegamos como nossos ancestrais, para conectar as vozes dos territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos e amplific\u00e1-las para que o mundo inteiro as escute. <\/p>\n\n<p><em>\u201cEm nossa rota pelos rios da Amaz\u00f4nia, levamos um convite \u00e0 vida, \u00e0 esperan\u00e7a e ao reencontro, desafiando o legado de viol\u00eancia, explora\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o. Esta travessia n\u00e3o \u00e9 de conquista e exterm\u00ednio, mas de unidade, reencontros e solu\u00e7\u00f5es a partir do territ\u00f3rio\u201d &#8211; Leo Cerda, l\u00edder ind\u00edgena e ativista. <\/em><\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-42-27-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5775\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-42-27-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-42-27-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-42-27-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-42-27-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/photo_2025-10-16_12-42-27.jpg 1620w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Nossa flotilha, composta por uma delega\u00e7\u00e3o de 56 pessoas e mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es, navegar\u00e1 3.000 quil\u00f4metros para denunciar as cicatrizes do extrativismo e exigir uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa \u0438 vinculante na COP30, que ser\u00e1 realizada no in\u00edcio de novembro.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Visita ao Parque Nacional Yasun\u00ed<\/strong><\/h2>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54873678269_25dfeae4e9_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5776\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54873678269_25dfeae4e9_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54873678269_25dfeae4e9_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54873678269_25dfeae4e9_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54873678269_25dfeae4e9_o-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54873678269_25dfeae4e9_o.jpg 1620w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>17 de outubro. Puerto Rocafuerte, Equador. <\/p>\n\n<p>Ap\u00f3s 6 horas de viagem de lancha pelo rio Napo, chegamos ao extremo oriental do territ\u00f3rio equatoriano e descansamos uma noite na cidade de Nuevo Rocafuerte. Na manh\u00e3 seguinte, realizamos os tr\u00e2mites de migra\u00e7\u00e3o e percorremos o Parque Nacional Yasun\u00ed. Esta \u00e9 uma das \u00e1reas mais biodiversas do planeta e reconhecida como uma reserva da biosfera pela UNESCO. Tamb\u00e9m \u00e9 lar ancestral do povo Waorani, um povo em contato inicial, e dos Tagaeri e Taromenane, estes dois \u00faltimos comunidades em isolamento volunt\u00e1rio.    <\/p>\n\n<p>Em meio \u00e0 riqueza natural e \u00e0 abund\u00e2ncia do Yasun\u00ed, encontramos mais uma vez que a maior amea\u00e7a que este espa\u00e7o enfrenta vem da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, uma atividade que j\u00e1 dura mais de tr\u00eas d\u00e9cadas na regi\u00e3o. Desde 1992, a Texaco obteve uma licen\u00e7a para o Bloco 16, e posteriormente se somou a do Bloco 43 &#8211; ITT em 2013.   <\/p>\n\n<p>As atividades petrol\u00edferas ocasionaram a perda de habitats altamente biodiversos, desmatamento, contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, doen\u00e7as e perda de autonomia, de acordo com relat\u00f3rios da Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (RAISG). <\/p>\n\n<p>Diante dessa realidade, desde 2007 no Equador foi proposta a iniciativa hist\u00f3rica e simb\u00f3lica de deixar o petr\u00f3leo dos campos Ishpingo, Tiputini e Tambococha, localizados dentro do Parque Nacional Yasun\u00ed, sob o subsolo \u2014 n\u00e3o explorar o petr\u00f3leo e, em troca, fomentar um plano de arrecada\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que gerasse renda para o pa\u00eds.<\/p>\n\n<p>Ap\u00f3s anos de trabalho conjunto entre comunidades ind\u00edgenas e habitantes da Amaz\u00f4nia, coletivos ambientalistas da sociedade civil e a iniciativa estatal, em agosto de 2013 o governo de Rafael Correa decidiu abrir as concess\u00f5es e os trabalhos petrol\u00edferos dentro do Yasun\u00ed. A resposta foi uma tremenda mobiliza\u00e7\u00e3o social e a articula\u00e7\u00e3o do coletivo Yasunidos. Imediatamente, organizou-se uma campanha de iniciativa social, civil e comunit\u00e1ria para realizar uma Consulta Popular onde todo o Equador decidisse sobre o futuro do Parque Nacional.  <\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54872567447_bf1c39b626_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5777\" srcset=\"https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54872567447_bf1c39b626_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54872567447_bf1c39b626_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54872567447_bf1c39b626_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54872567447_bf1c39b626_o-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/amazonflotilla.quipa.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/54872567447_bf1c39b626_o-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Ap\u00f3s quase 10 anos de luta, persegui\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia por parte de Yasunidos e dos povos amaz\u00f4nicos, defendendo os direitos de ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio, realizou-se a Consulta Popular, que propunha manter sem explora\u00e7\u00e3o os po\u00e7os que se encontram dentro do Parque Nacional Yasun\u00ed. O resultado foi esperan\u00e7ador: um retumbante &#8220;Sim&#8221; \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, ao petr\u00f3leo sob o solo e aos direitos das comunidades amaz\u00f4nicas de ter um ambiente saud\u00e1vel. <\/p>\n\n<p><em>\u201cAp\u00f3s a verifica\u00e7\u00e3o dos resultados oficiais e o respaldo do controle eleitoral cidad\u00e3o articulado, verifica-se que a op\u00e7\u00e3o do &#8216;sim&#8217; alcan\u00e7ou 5.541.585 votos, ou seja, 58,95% do total de votos v\u00e1lidos, tornando-se o mais importante consenso nacional dos \u00faltimos 20 anos.\u201d &#8211; P\u00e1gina Oficial Yasunidos <\/em><\/p>\n\n<p>O mandato popular equatoriano que impulsionou a proibi\u00e7\u00e3o do projeto petrol\u00edfero ITT n\u00e3o se concretizou porque, at\u00e9 este momento, o governo equatoriano n\u00e3o cumpriu com o fechamento do bloco. Uma de tantas d\u00edvidas que deixa sua cicatriz na Amaz\u00f4nia e que nos lembra da import\u00e2ncia da miss\u00e3o de nossa Flotilha Amaz\u00f4nica e de nossa exig\u00eancia pelo fim das atividades extrativistas nos territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos e pela preserva\u00e7\u00e3o de seus povos. <\/p>\n\n<p>Atravessamos os escrit\u00f3rios de migra\u00e7\u00e3o no Equador em Nuevo Rocafuerte, pegamos uma lancha para uma viagem de uma hora que nos levou a Cabo Pantoja, um povoado peruano onde realizamos os tr\u00e2mites migrat\u00f3rios, compartilhamos um almo\u00e7o com a comunidade e, \u00e0 tarde, partimos em uma embarca\u00e7\u00e3o peruana para seguir avan\u00e7ando rio abaixo pelo Napo.<\/p>\n\n<p>Aguarde em breve nosso resumo da segunda semana de travessia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos Andes \u00e0 Amaz\u00f4nia: os primeiros passos da travessia da Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama Quito, capital equatoriana localizada no centro do planeta, sobre a Cordilheira dos Andes. Bel\u00e9m, capital do estado do Par\u00e1, Brasil, situada sobre o rio Amazonas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua foz no Oceano Atl\u00e2ntico. Mais de 3.000 km n\u00e3o medem apenas a dist\u00e2ncia entre estes dois pontos em um mapa, mas tamb\u00e9m abrangem os diversos habitats da diversidade biol\u00f3gica e da conviv\u00eancia cultural de povos e nacionalidades ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Sul, desde o cume das geleiras at\u00e9 as profundezas da Amaz\u00f4nia. Nosso objetivo \u00e9 chegar \u00e0 COP30, a Confer\u00eancia das Partes sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU. Este ano, ela ser\u00e1 celebrada em Bel\u00e9m do Par\u00e1. O ponto de partida de nossa viagem \u00e9 Quito. Durante nossa travessia, documentamos com a inten\u00e7\u00e3o de visibilizar as problem\u00e1ticas da explora\u00e7\u00e3o mineradora, petrol\u00edfera, do desmatamento, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seu impacto ambiental em nossas comunidades. Nosso caminho \u00e9 tra\u00e7ado pela senda da \u00e1gua, desde geleiras e p\u00e1ramos at\u00e9 a densa selva amaz\u00f4nica, em um ciclo vital do qual tomamos nosso nome: Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama. Iniciamos a viagem fluvial no porto da cidade de Francisco de Orellana, mais conhecida como El Coca. Esta escolha teve um valor simb\u00f3lico, pois, deste mesmo ponto, em 12 de fevereiro de 1542, partiram as embarca\u00e7\u00f5es do colonizador que deu nome \u00e0 cidade. Hoje, nesta mesma latitude, partimos mais de 60 organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e de defesa da natureza com a inten\u00e7\u00e3o de confrontar nosso passado colonial e extrativista para converter a dor da devasta\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o coletiva. &#8220;Esta flotilha n\u00e3o \u00e9 apenas um protesto, \u00e9 uma mensagem viva que navega pelas veias da Amaz\u00f4nia. O pr\u00f3prio rio nos mostra suas cicatrizes: as manchas de petr\u00f3leo, a ferida da minera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o viemos apenas para levar um problema \u00e0 COP30; viemos para apresentar as respostas que nossos povos e a floresta cultivaram por mil\u00eanios\u201d &#8211; Alexis Grefa, jovem kichwa amaz\u00f4nico do Equador. Como Flotilha Amaz\u00f4nica Yaku Mama, navegamos com um chamado coletivo por Justi\u00e7a Clim\u00e1tica rumo \u00e0 COP30, o evento de maior relev\u00e2ncia internacional no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC). Nossa mensagem \u00e9 contundente: a era dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na Amaz\u00f4nia deve chegar ao fim, n\u00e3o queremos que a Amaz\u00f4nia se converta em uma nova zona de sacrif\u00edcio. Da Geleira Cayambe rumo ao Rio Amazonas \u201cGeleiras, rios e a floresta tropical n\u00e3o s\u00e3o mundos separados, s\u00e3o um s\u00f3 corpo, um ciclo Sagrado que sustenta a vida\u201d \u2013 Leo Cerda, l\u00edder ind\u00edgena e ativista 9 de outubro. Cayambe, Pichincha, Equador. O primeiro ponto da expedi\u00e7\u00e3o foi o Vulc\u00e3o Cayambe, a mais de 4.600 metros acima do n\u00edvel do mar na Cordilheira dos Andes, Equador. Mesmo aqui, t\u00e3o longe dos centros povoados, em um espa\u00e7o que aparenta ser unicamente natural e at\u00e9 in\u00f3spito para o ser humano, \u00e9 poss\u00edvel ver os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: a neve recua ano ap\u00f3s ano e a superf\u00edcie da geleira diminuiu. Outras geleiras na regi\u00e3o sofrem com os mesmos problemas. Segundo um relat\u00f3rio da iniciativa MapBiomas \u00c1gua, entre 1985 e 2022, perderam-se 184 mil hectares (56%) de superf\u00edcie de geleiras nos pa\u00edses amaz\u00f4nicos. A perda das geleiras tem um impacto direto na altera\u00e7\u00e3o dos ciclos de chuva, na deteriora\u00e7\u00e3o do solo e no acesso \u00e0 \u00e1gua, o que coloca em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade as popula\u00e7\u00f5es que dependem da sa\u00fade desses ecossistemas. Al\u00e9m disso, evidencia o aquecimento global; sem gelo e geleiras, o planeta ficar\u00e1 sem reservas de \u00e1gua, elemento b\u00e1sico para a vida. \u00c9 significativo que nossa viagem simbolicamente se inicie aqui, um convite a refletir sobre a incid\u00eancia do dano ambiental na regi\u00e3o. Nos convida a entender como se vinculam dois mundos aparentemente separados: a Serra (Cordilheira dos Andes) e a Amaz\u00f4nia. De geleiras como o Cayambe prov\u00e9m a \u00e1gua que alimenta a selva e que flui at\u00e9 o Amazonas para depois voltar \u00e0s suas alturas em um ciclo sagrado. No alto da Mama Cayambe, huaca sagrada dos povos kichwa andinos, vivenciamos uma cerim\u00f4nia ancestral, focada na import\u00e2ncia das geleiras, dos p\u00e1ramos andinos e sua conex\u00e3o com a Amaz\u00f4nia. Aqui tamb\u00e9m elevamos uma mensagem clamando pela conscientiza\u00e7\u00e3o de que esse ciclo est\u00e1 amea\u00e7ado pelo desmatamento e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Saudando e recolhendo a energia e a for\u00e7a dos ind\u00edgenas dos Andes, comunidades que se encontravam em resist\u00eancia \u2014 povo Kayambi, Otavalo, Natabuela, Karanki \u2014, iniciamos o percurso. Visitamos setores emblem\u00e1ticos da cidade de Quito, descansamos e organizamos a log\u00edstica e a bagagem de nossa viagem terrestre para descer dos Andes \u00e0 Amaz\u00f4nia. Narrativas anti-hegem\u00f4nicas e juventudes amaz\u00f4nicas em defesa da Amaz\u00f4nia frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas 13 de outubro. Serena, Napo, Equador. Das alturas dos p\u00e1ramos e do vento frio das montanhas, nos dirigimos ao cora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio kichwa amaz\u00f4nico na prov\u00edncia de Napo. Seguimos o curso de uma estrada que avan\u00e7a pela margem do rio at\u00e9 chegar a uma ponte de pedestres que \u00e9 a passagem para a comunidade de Serena. Iniciamos o dia com uma cerim\u00f4nia de boas-vindas, apresenta\u00e7\u00e3o e agradecimento aos elementos. A comunidade nos recebeu com um caf\u00e9 da manh\u00e3 t\u00edpico e ao abrigo do calor que caracteriza os climas tropicais \u00famidos e que anunciava o tom que nos esperaria em nossa viagem at\u00e9 Bel\u00e9m. Serena \u00e9 c\u00e9lebre por seu ativismo e lideran\u00e7a na defesa do territ\u00f3rio e na a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Esta regi\u00e3o foi afetada pela minera\u00e7\u00e3o de ouro, que provoca a destrui\u00e7\u00e3o de florestas, a contamina\u00e7\u00e3o de fontes h\u00eddricas e a degrada\u00e7\u00e3o de ecossistemas. Entre as iniciativas mais reconhecidas de Serena est\u00e3o o F\u00f3rum Mundial de Jovens Ind\u00edgenas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e a Guarda Ind\u00edgena Yuturi Warmi, esta \u00faltima dirigida por mais de 40 mulheres ind\u00edgenas. Aqui participamos da Oficina: \u201cNarrativas Anti-Hegem\u00f4nicas e Juventudes Amaz\u00f4nicas em Defesa da Amaz\u00f4nia frente \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas\u201d. Foi um espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o coletiva para pensar estrat\u00e9gias que nos permitam fazer com que a palavra e a arte se transformem em ferramentas de defesa do territ\u00f3rio, da cultura e da vida. 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